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© Foto : Divulgação / Força Aérea Brasileira

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Gripen E: novo caça brasileiro passa por testes e fará 1º voo na Suécia em 2019

Ocupando um espaço considerável do pavilhão 3 da 12ª LAAD Defence & Security, a mais importante feira de defesa e segurança da América Latina, um modelo do caça sueco Gripen E chama a atenção já em solo. Mas isso vai mudar até o fim deste ano, quando o 1º avião da parceria com o Brasil for ao ar na Suécia.

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O voo inaugural está se aproximando e os motores do jato tiveram as suas instalações concluídas nas últimas semanas, revelou o vice-presidente da Unidade de Negócios Gripen Brasil da Saab, Mikael Franzén, em entrevista coletiva da qual a Sputnik Brasil participou. De acordo com o executivo, sistemas táticos e sensores estão sendo testados neste momento.

"O último ano foi bem-sucedido. Entre outras ações, instalamos o motor no primeiro Gripen E para o Brasil. Este ano, a primeira aeronave brasileira iniciará a campanha de ensaios em voo em Linköping, na Suécia", assegurou Franzén. O executivo sueco também elogiou a sinergia entre Brasil e Suécia ao longo do processo, que permite até mesmo maior sustentabilidade.

"Os caças Gripen terão agora a mesma configuração para os displays, harmonizando os programas sueco e brasileiro. Isso significa uma grande economia na manutenção da aeronave e no futuro desenvolvimento de software. Esse é realmente um bom exemplo da colaboração bem-sucedida entre a Saab e a indústria de defesa brasileira", acrescentou.

De acordo com o contrato assinado entre as duas partes em 2014, o Brasil receberá 36 caças Gripen, sendo 28 monopostos (Gripen E) e 8 bipostos (Gripen F). O acordo prevê uma ampla transferência de tecnologia, que inclui pacote completo da aeronave, simuladores, sistemas de suporte, sistemas de suporte, peças sobressalentes, cargas externas e treinamento e suporte.

Segundo o presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança, Jackson Schneider, o Gripen F é um projeto que saiu praticamente do zero e conta com quase 50% de tecnologia de Brasil e Suécia. Não são poucos os itens que mudam entre os dois modelos: adição do assento traseiro no cockpit; sistema de oxigênio, telas e comandos; adaptação do sistema de energia elétrica; redesenho da seção das tomadas de ar; redesenho da extensão da fuselagem dianteira; e rearranjo aviônico e das instalações elétricas.

"Existe um cenário para uma participação efetiva das duas empresas no cenário global", destacou Schneider, que revelou ainda o interesse de delegações de outros países no Gripen E e F, porém ainda em estágios embrionários. Tanto o executivo brasileiro quanto os seus parceiros suecos demonstraram otimismo quando o tema envolveu a participação no concorrido mercado mundial de caças militares.

O primeiro voo do 1º Gripen E brasileiro – intitulado pela Força Aérea Brasileira (FAB) de F-39 E/F – vão acontecer até o final deste ano em Linköping, na Suécia. A partir de 2020, pilotos brasileiros participação de treinamentos no país escandinavo e, de acordo com o gerente do Programa Gripen da Embraer, Geovane Pellegrino, o jato vem ao Brasil para mais testes no segundo semestre do mesmo ano.

O desembarque do primeiro jato da parceria com a Saab marcará também o início das operações da nova fábrica de aeroestruturas do Gripen (SAM), pertencente à Saab, em São Bernardo do Campo (SP). A entrega do primeiro lote de jatos Gripen E está prevista para 2021, com a integralidade dos aviões sendo montada por suecos, com o acompanhamento de brasileiros.

Em uma segunda fase, colaboradores da Embraer montarão os caças Gripen E com o apoio dos suecos, enquanto a fase final terá a construção dos jatos Gripen F em solo brasileiro.

Programa Gripen

Em 18 de dezembro de 2013, o governo brasileiro anunciou a escolha pelo Gripen como o novo caça da FAB, vencendo uma disputa dentro do Programa FX-2 com jatos da França e dos Estados Unidos. Até o fim do programa, cerca de 350 profissionais brasileiros participarão dos projetos de transferência de tecnologia por meio de treinamentos na Suécia.

Até o momento, 165 engenheiros brasileiros já regressaram e a maior parte deles trabalha no Centro de Projetos e Desenvolvimento do Gripen (GDDN), localizado na Embraer Defesa, em Gavião Peixoto (SP), inaugurado em 2016.

"O Gripen vai reforçar as capacidades de defesa aérea do Estado brasileiro e será um fator preponderante para dissuasão de qualquer ameaça à soberania do espaço aéreo", afirmou o comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro Antônio Carlos Moretti Bermudez, em comunicado à imprensa.

O processo de transferência de tecnologia do Programa Gripen envolve 62 projetos, incluindo pesquisas do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) em áreas relevantes para a concepção da próxima geração de aeronaves de caça, tais como análise operacional de caças, projeto e análise conceitual da aeronave, testes de motores a jato, projeto de entradas de ar com baixa observabilidade radar (desenvolvimento de tecnologia stealth), sistemas avançados de monitoramento de frota, eletrônica e processamento para aplicações intensivas em tempo real.

A expectativa, tanto da Saab quanto da Embraer, é que o Gripen brasileiro abra as portas do mercado sul-americano para novas parcerias e, possivelmente, novos investimentos em projetos futuros entre as duas companhias.

FONTE: Sputnik Brasil
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